A Serra Geral do Paranã é uma grande unidade-fonte de biodiversidade, na qual é necessária a preservação ambiental.
A Serra Geral do Paranã se estende do norte do Distrito Federal ao nordeste de Goiás, atravessando municípios goianos como Formosa, Planaltina de Goiás, São João D’Aliança até Alto Paraíso de Goiás. A Serra forma um extenso corredor de biodiversidade que liga o Distrito Federal à Chapada dos Veadeiros.
Ela integra uma paisagem deslumbrante do território nacional. Percorre cerca de 200 quilômetros, do norte do Distrito Federal ao nordeste do estado de Goiás, nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
É, portanto, um território de relevante interesse nacional e regional, pois nessa área estão localizadas as nascentes de vários cursos d’água formadores do rio Tocantins, como as cabeceiras do rio Maranhão e rio Paranã, assim como é habitat de grandes mamíferos, que percorrem o corredor ecológico de aproximadamente 200km de Cerrado.
O Instituto José Menck de Pesquisa Ambiental encara a Serra Geral do Paranã como uma grande unidade-fonte de biodiversidade, na qual é necessária a preservação ambiental.
Ameaças e danos da ação humana
A beleza da Serra Geral do Paranã atrai, semanalmente, um grande número de pessoas (e seus veículos). No entanto, assim como muitas áreas ecologicamente sensíveis, o grande trânsito de veículos e frequência de pessoas, sem o devido controle, causa degradação ambiental e coloca em risco a fauna e flora nativas.
As análises técnicas, realizadas na Serra Geral do Paranã, concluíram que o fluxo de veículos e de pessoas na quebra da borda do tabuleiro (pontos mais altos da Serra, onde começa o desnível) tem sido responsável por destruição do Cerrado em locais de deslocamento dos mamíferos de médio e grande porte, entre eles, a onça-pintada, ampliando o risco de extinção destes animais, como a onça-pintada (Panthera onca), a onça-parda (Puma concolor) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), entre tantos outros, por alterar a rotina destes e aumentar a possibilidade de mortes de animais silvestres por atropelamento.
Os pesquisadores identificaram a existência de arbustos denominados Canela-de-ema com mais de 2 metros de altura. Estes arbustos, que tem propriedades medicinais e também são conhecidos como a Fenix do Cerrado, crescem um centímetro por ano. Portanto, aqueles tem cerca de 150 anos de idade.
Arbustos com 150 anos
Os pesquisadores identificaram a existência de arbustos denominados Canela-de-ema com mais de 2 metros de altura.
Estes arbustos, que tem propriedades medicinais e também são conhecidos como a Fenix do Cerrado, crescem um centímetro por ano. Portanto, aqueles tem cerca de 150 anos de idade.
Há um desconhecimento generalizado sobre a fauna, a flora e demais recursos, como nascentes e insetos, bem como falta consciência às pessoas para a necessidade de atitudes urgentes voltadas a assegurar a preservação da biodiversidade naquela área de Cerrado.
Trilha da Onça do Paranã
A Mata Atlântica passa pelos territórios dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, e parte do território do estado de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
O Instituto José Menck deu início ao projeto ‘Trilha da Onça’, com o objetivo de mapear em detalhes a presença e a circulação desses grandes mamíferos nos 200km do corredor ecológico entre a Serra Geral do Paranã e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Esse trecho de Cerrado carece de estudos sobre os carnívoros, sobretudo, quando se trata da onça-pintada.
Nos 6km ocupados onde as armadilhas fotográficas foram instaladas, foram identificadas 7 onças-pintadas e diversos outros animais, em apenas um ano de pesquisas. Os biólogos acreditam que há mais animais ali. Na Mata Atlântica há a estimativa de 300 indivíduos daquela espécie
A Mata Atlântica passa pelos territórios dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, e parte do território do estado de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
Conheça as onças já identificadas que habitam a Serra do Paranã:
Foram registradas duas espécies de onças: a onça pintada (Panthera onca) e a parda (Puma concolor) na região estudada pelo Instituto José Menck.
As onças-pintadas podem ser individualizadas pelas rosetas em sua pelagem (pintas), que são como a nossa impressão digital. Esse tipo de coloração permite identificar cada indivíduo que frequenta a área de estudo.
Foram registradas 4 onças-pintadas que receberam o nome de Tio Careca, Dr. Menck, Holyfield e Nazaré, a única fêmea encontrada até o momento.
Há o registro ainda de uma onça-parda registrada na área de pesquisa, ela recebeu o nome Dom Emanoel.
Presença de onças é sinônimo de ambiente saudável
Normalmente, as pessoas associam a presença de onças em um ambiente a algo relacionado à insegurança para animais e às próprias pessoas. Nada mais errado.
Primeiro: porque as onças temem o ser humano e só atacam se forem ameaçadas.
Segundo: as onças estão no topo da cadeia alimentar. Se elas existem em um determinado local, é sinal de ambiente saudável. Isso quer dizer que ali há os outros animais de outras faixas da mesma cadeia alimentar, significando riqueza de biodiversidade.
Veja os animais identificados nas pesquisas realizadas na Serra Geral do Paranã
A identificação correta dos animais silvestres é importante para elaborar estratégias de monitoramento desses indivíduos a fim de garantir um ambiente integro para sua sobrevivência, como por exemplo, preservando o habitat e ambientes utilizados como corredores ecológicos, que permitem que os animais se desloquem pela área.
Com auxílio câmeras fotográficas digitais dotadas de sensor de atividade foi registrada, inicialmente, a presença de 12 espécies pertencentes a 7 famílias. Das espécies registradas, 7 se encontram em alguma categoria de ameaça, segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e o IBAMA:
* Espécies ameaçadas de extinção de acordo com o Livro Vermelho das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, MMA 2018.
